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Recesso

As datas dos últimos posts já denunciavam, mas agora é oficial. Este blog está entrando em recesso por tempo indeterminado. Gostaria de deixar registrado que a possibilidade de fechá-lo não foi cogitada, mas como também não há motivação (e nem tempo) para mantê-lo, decidi ser honesto com os 20 visitantes diários (a grande maioria, vinda erroneamente pelo Google) e anunciar a parada.

Agradeço a atenção dedicada aos meus textos. E, claro, até breve.

Julio Simões

Lembranças

[texto escrito durante aula de pós-graduação. era um exercício de escrita rápida sobre alguém importante]

João Pedro deve ter sido meu primeiro grande e melhor amigo. Deve ter sido não, foi. Não há qualquer dúvida sobre isso. Nos conhecemos há muito tempo, ainda pequenos, naquela idade de jardim de infância. Morávamos perto, mas não éramos vizinhos. As mães ficaram amigas na mesma época, mas o motivo da nossa identificação deve ter sido outro. Provavelmente, afinidade.

Isso porque éramos - ainda somos - bastante diferentes. Eu, mais introspectivo. Ele, mais atirado. Eu, quieto. Ele, falante. E nem por isso deixamos de ser amigos. Lembro-me claramente que brincávamos de Lego na varanda da casa dele. Ele era mais engenheiro do que eu - profissão que segue até hoje.

Os videogames também era prática comum entre a gente. Lembro-me como se fosse hoje quando jogávamos corrida na sala acanhada da casa de outro amigo, ao som de Offspring. Depois, sempre íamos para a rua da frente brincar, como é bastante comum em cidades do interior. Jogávamos bola, corríamos, andávamos de patins (era a época do in line) e até fizemos uma Olimpíadas lá, com tocha e tudo.

Sem dúvida, ele era a pessoa mais próxima de mim naquela época. Nunca fui de muitos amigos, mas de bons. Cultivei outros depois dele, mas nunca o esqueço. Tomamos rumos distintos na profissão e na vida. Cada um está de um lado, longe, mas certamente mantendo as lembranças da infância vivas sempre. Confesso que até hoje tenho vontade de reviver aqueles tempos de antes, que infelizmente não voltam.

Tenho certeza que ele também se pega, às vezes, pensando em coisas que fazíamos juntos, durante o dia, da hora do almoço até escurecer. Essa era, aliás, a senha para pararmos a brincadeira. Ela recomeçaria no dia seguinte, nós sabíamos. Mas a parada nos cortava o coração, e nos fazia adiá-la até que o telefone tocasse - era nossa mãe - e nos mandasse parar.

Bom, se perguntarem se fui feliz, digo que fui. E se minha felicidade futura dependesse do que fiz no passado, creio que seria também. Assim como ele será, onde quer que esteja. É o que desejo a ele, com certeza. Assim, espero.

Novo jornalismo, velho medo

Em março, comecei minha pós-graduação em Jornalismo Literário. Para quem não sabe, Jornalismo Literário (ou só JL) é uma forma de fazer reportagem com foco em personagens e histórias, usando a descrição e a narração como ferramentas. Pois bem. Amanhã, dou o primeiro passo prático no maravilhoso mundo do JL - o trabalho-pauta inicial, sobre o qual conto outro dia.

Porém, ainda carrego uma grande insegurança jornalística comigo, a mesma desde que comecei a faculdade, cinco anos atrás. Confesso: não sei se, durante uma entrevista, é melhor anotar, gravar ou apenas ouvir o personagem.

Tenho problemas em anotar por conta da baixa velocidade da minha letra e da incapacidade de resumir. Já ouvir requer superar outra limitação: a da memória - e superar o medo de perder algo importante não é fácil, viu! Agora, usar um gravador seria a minha solução... se não inibisse o personagem (e em JL é necessário captá-lo na essência) e não fosse um saco fazer a transcrição depois!

Se tomarmos como exemplo os grandes ícones do JL, como Gay Talese e Truman Capote, fica ainda mais difícil saber o que fazer. Afinal, ambos anotavam poucas coisas durante a entrevista, deixando para lembrar e registrar tudo o que conseguissem mais tarde, quando estivessem sozinhos. E eu, como será que eu faço? Ainda não sei.

Caiu a ficha

Eu sabia que isso ia acontecer um dia – e aconteceu. Logo que alcancei a Paulista nesta segunda-feira, pelo estacionamento que sempre cruzo, avistei uma multidão de pessoas coloridas, fazendo barulho e se amontoando em frente ao número 900. “É dia de trote, como eu não lembrei disso?!”, me perguntei, mentalmente. A auto-pergunta tem motivo: eu não queria passar por aquilo.

Em todo caso, caminhei até o ponto de ônibus que me levaria ao trabalho, coisa que aqueles moleques sequer pensam ainda. Mas não deixei de observar, meio de relance, o que aquele pessoal recém-saído das fraldas vivia. Tudo era festa, tudo era tinta, tudo era alegria. Eis então que vesti minha máscara de cara fechada, olhei com repulsa para a multidão – que sequer sentia a minha presença ali – e subi no primeiro ônibus rumo à Angélica.

Acho que estou ficando velho. Humpf.

Ano novo, blog novo

Não, ainda não vai ser o momento em que eu vou anunciar o fim do Despojo. Pelo contrário, estou tentando dar uma nova filosofia a ele, com mais atualizações e textos mais curtos. Vamos ver se consigo.

Enquanto isso, aproveito para contar aqui os lugares onde o nome deste jornalista (agora, formado) aparecerá neste mês de janeiro. São como frilas, só que infelizmente não remunerados. Coisa de quem está começando e ainda não tem lugar no mercado de trabalho. Portanto, prestigiem!

- Revista Minha Viagem [turismo]
[Beleza oculta paranaense; edição 11, jan/2009, pág 12]
Essa participação faz parte da coluna "Se eu fosse você", em que um leitor dá a dica de lugar bacana pra visitar. Eu, como bom paranaense, indiquei Castro. A capital dos Campos Gerais foi bem representada, pode acreditar. Nas bancas, a revista custa apenas R$ 5. No mês que vem, o conteúdo deve estar disponível em www.revistaminhaviagem.com.br para todo mundo.

- Revista FourFourTwo [futebol]
[50 melhores jogadores do Brasil em 2008; edição 03, jan/2009]
A FourFourTwo (4-4-2, em português) é uma revista inglesa muito famosa, e desembarcou no Brasil há pouco tempo. Nessa última edição, ajudei em quatro perfis de jogadores para a lista dos 50 melhores jogadores do Brasil em 2008. Escrevi sobre o volante Alan Bahia (Atlético-PR, 44º lugar), Cleiton Xavier (Figueirense, 46º), Marquinhos (Vitória-BA, 43º) e Tcheco (Grêmio, 22º). A revista ainda não tem site, então terão que desembolsar R$ 8,50.

- Revista Zingu! [cinema]
[O retorno do último moicano e Musas eternas: Elisha Cuthbert; edição 28, jan/2009]
A Zingu! é uma revista eletrônica mensal sobre cinema, especialmente o paulista. Uma bela iniciativa do amigo Matheus Trunk, que me convidou para escrever sobre o Cine Marabá, assunto mais do que batido - mas não menos delicioso de tratar - por mim no ano passado. De lambuja, ainda assino um texto pra seção Musas Eternas, sobre a "vizinha" Elisha Cuthbert. Vale conferir em http://revistazingu.blogspot.com; totalmente grátis, claro.

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Um bônus aos leitores do Despojo: dias atrás, fui a Hortolândia acompanhar o time júnior do Atlético. Peguei estrada, tomei chuva, cantei, toquei pandeiro e comemorei uma vitória nos pênaltis. Um pouco disso, relatei em um texto enviado ao embaixador do time em São Paulo, que o repassou ao assessor de imprensa do Atlético. Por fim, o texto (e as fotos que tirei) acabou publicado no site oficial. Para ler, basta acessar aqui: http://www.atleticoparanaense.com/noticias/noticia.php?lista_valor=13639

Mas já?

Como diz o ditado, a primeira vez a gente nunca esquece. Nem mesmo o primeiro dia na primeira faculdade. Afinal, aquela manhã de fevereiro de 2005 no prédio 900 da Avenida Paulista, quando quase todos ainda eram adolescentes recém-saídos da escola ou do cursinho, sem qualquer noção do que seria a vida acadêmica, certamente ficou registrada em cada um de nós.

A partir desta lembrança já bastante remota, que cada um deve ter recuperado neste momento, é possível começar o balanço do quanto foi possível evoluir em quatro anos como aluno da Faculdade Cásper Líbero. Em números quase exatos, porque jornalista insiste em não saber fazer conta, foram 1.398 dias e 33.552 horas desde a divulgação da lista de aprovados em primeira chamada do vestibular 2005 até o último dia de aula do quarto ano de Jornalismo. Porém, na prática, foi muito mais que isso.

De lá para cá, aprendemos a profissão tanto dentro das salas de aula e dos laboratórios quanto fora deles, nos corredores e nas redações em que estagiamos durante este período. Conhecemos pessoas que foram nossos colegas de sala e agora, oficialmente, de profissão. Alguns se tornaram diferenciados e farão parte do resto de nossas vidas, enquanto outros serão reencontrados ao longo do caminho. Assim também será com os professores, que durante estes quatro anos nos direcionaram e agora poderão ser colegas de trabalho.

É nesse momento que, como dizem, passa um filme da vida na cabeça. As aulas teóricas do primeiro ano, por vezes sem muita emoção, mas que deram noções de sociologia, antropologia e teoria da comunicação aos alunos recém-saído das fraldas; as primeiras aulas práticas do segundo ano, tão ansiosamente aguardadas, como rádiojornalismo; o terceiro ano do aprofundamento, com o reforço de matérias já dadas e outras novidades, como jornalismo básico e legislação, respectivamente; e, por fim, o quarto ano, em que não se fala em outra coisa a não ser o TCC.

Parece muita coisa, é verdade, mas foi pouco. Para mim, especificamente, a faculdade passou voando. Andar pelos corredores acanhados do prédio e conhecer pouca gente dá a noção exata de que eu estou ficando para trás. Por outro lado, é preciso reconhecer que uma nova fase da vida virá, e que para isso será preciso deixar essa para trás. Enfim. O espaço para expressar o fim é pequeno, mas a saudade já é grande.

Cine Marabá - O cinema do coração de São Paulo

Dia 19, às 19 horas, na Cásper Líbero (Av. Paulista, 900 - 5º Andar).

Horóscopo

TOURO (21 abr. a 20 mai.): Há certas coisas que realmente chegam ao fim, mesmo que você tenha querido o contrário e torça para que algo mágico aconteça. Você pode ir até um ponto e tudo tem um tamanho, até seu poder de amar, de se doar e de ser invencível em sua determinação. Aceitar essa realidade é sábio de sua parte.

Eu nunca leio horóscopo. Nunca. E acho que não deveria ter lido o de sábado, na Folha.

O cinema de cada um de nós

Quem é menino, sabe: coleciona-se de tudo. Bonecos dos Cavaleiros dos Zodíaco, times de futebol de botão, conjuntos de Lego, pipas, latas de refrigerante, enfim. Tudo. Eu, no entanto, tive poucas coleções na vida, mas uma era tão incomum quanto especial.

Era década de 90, talvez até 1995. Na época eu tinha uns 10 anos, se não me falha a memória (e ela costuma falhar, mas tudo bem). Meu pai, fisioterapeuta e leitor de jornal assíduo, assinava a Folha de S.Paulo, que eu, apesar de já saber ler, apenas folheava.

Na verdade, minha diversão com aquele papel que deixa a mão preta era um só: recortar as miniaturas de cartazes de filmes que vinham nas últimas páginas da Ilustrada. Aqueles cujo rodapé hospedava alguns pequenos retângulos que só cabiam o nome do cinema e, no máximo, uma aviso de Dolby Stereo.

Hoje, por coincidência, eu faço um livro justamente sobre o real conteúdo daqueles quadradinhos no rodapé, que me encantavam tanto quanto o próprio cartaz. Mal sabia eu que aquelas eram grandes salas de projeção da arte que imita a vida. E que nelas passaram, na tela ou não, a história de tantas pessoas.

Participe!

Eu sei que estou em falta com este espaço, mas tudo bem. Pra piorar, vou usar um post inteiro para uma pesquisa simples, que pode ser respondida pelos comentários. A ajuda de todos (se estes todos já não desistiram de mim) será muito importante.

Lá vai ela (só não vale me perguntar o por quê disto, ok?)

"Que tipo de música você considera ruim? Por que?"

Happy Day

Fazia tempo que eu não tinha um dia tão completamente feliz como hoje. Acordei cedo e animado (o que raramente acontece), tomei café da manhã do jeito que eu gosto, fui pra faculdade sem achar ruim ter de assistir aula de jornalismo econômico, almocei bem aquela comidinha caseira, fui andando ao som de Toranja pro trabalho, praticamente finalizei a matéria da próxima Mac+, voltei pra casa ao som de Rolling Stones, comi esfirra aberta pelo caminho, tomei um banho relaxante, assisti o impagável 15 minutos da MTV, toquei violão como não fazia há tempos e agora estou relatando meu dia, coisa que eu sempre condenei em blogs.

Pois bem. Falei tudo isso para concluir uma coisa que eu vinha reparando já há algum tempo: eu não consigo escrever nada tão criativo e poético que caiba neste modesto blog de ficção e realidade se não estiver num dia cinza, me sentindo meio triste ou melancólico. O motivo para isso talvez seja o fato de eu querer fazer coisas mais legais, úteis e divertidas quando me sinto bem. Em suma, é isso que dá tentar escrever algo diferente quando se está alegre. Vira um mero relato cotidiano do nada.

Meu caro amigo

Na melhor letra de samba de todos os tempos (na minha opinião), Chico Buarque conseguiu mandar notícias a um caro amigo por uma fita, quando apareceu um portador. Primeiro, lembrou que o cotidiano na terra continuava o mesmo, com futebol, samba, choro e roquenról, isso sem esquecer que uns dias chovia, outros fazia sol. Só depois é que vinha a crítica e o protesto à situação política do país, que enfrentava um dos mais duros períodos de sua história.

Nesta terça-feira, uma ligação me chamou a atenção. Era de um caro amigo, mais precisamente de um amigo da infância e da adolescência bem vivida em Promissão, com quem eu tenho contato muito esporadicamente. Recentemente ele esteve em São Paulo para uma entrevista de emprego e almoçou comigo, mas mesmo assim as notícias são sempre raras.

Nesta terça-feira, porém, a voz familiar me contou uma boa notícia: ele foi aprovado no tal emprego (a ex-estatal Vale, antiga Vale do Rio Doce) e vai se mudar para Vitória, no Espírito Santo. A gente começou na pré-escola ao mesmo tempo, passou toda a vida estudantil juntos, começou a aprender violão praticamente na mesma época (embora ele seja um talento e eu não) e viveu outras inúmeras situações juntos.

Estamos separados há mais de quatro anos, com poucas notícias e informações, mas a amizade permanece praticamente intacta. Seja nas aparições inesperadas na casa do outro, ainda em Promissão, seja nos encontros improváveis na metrópole. Torço sinceramente pela felicidade deste caro amigo, assim como eu sei que ele torce por mim. E pelo visto, as coisas estão acontecendo... À você, caro amigo que pouco aparece por este espaço virtual, desejo toda a sorte do mundo. E a todo o pessoal, adeus.

Deja-vù

Era só o que faltava: minha falta de inspiração se aliou ao azar. Saí do banho, local onde eu tenho as melhores idéias do dia, já determinado a parar com essa enrolação de textos que virou o despojo. Tinha a idéia na cabeça, que se equilibrava bem entre o saudosismo e a fase atual. Pior: tinha até título! ("Às origens", diga-se de passagem).

A analogia era excelente, mas algo me dizia que eu já tinha escrito isso em algum lugar. Aí veio a apuração. Bastou digitar as palavras-chave no google e... bingo! Lá estava o texto, sensível e completo, como eu gostaria de escrever. Sem tirar nem por uma vírgula - ok, eu mudaria o final agora, mas enfim.

Aí pensei: se eu já escrevi, por que não reeditá-lo aqui? Pois então fique à vontade para lê-lo enquanto eu tiro um cochilo das letras...

Eu, cá com meus botões

Vazio

Eu ia escrever um conto triste, como são quase todos os meus.

Até comecei a idéia, que parecia boa, mas parei logo no primeiro parágrafo e não consigo mais continuar. Me sinto meio vazio. Não entendo essa minha falta de força para a criação.

Acho que vou dormir. Boa noite.

Despedida

A decisão não foi fácil, mas foi tomada. Depois de dois anos, quatro meses e nove dias, estou deixando a GE.Net para me dedicar ao TCC e me arriscar em uma nova área (revista de tecnologia). Durante este tempo todo, tive a oportunidade de conviver e aprender com profissionais competentes e pessoas maravilhosas, que fazem deste 12º andar da Fundação Cásper Líbero um dos melhores ambientes de trabalho que eu devo ter freqüentado. Pretendo não me estender muito nessa carta, mas gostaria de agradecer a todos que me ajudaram a crescer como jornalista e pessoa.

Nominalmente (e assumindo o risco de esquecer alguém, a quem já peço desculpas), agradeço ao editor Erick, aos sub-editores Beggo, André, Lau, Nara, Raul, Pierre e Cezar, aos repórteres Marta, Carol, Amaral, Celinho e Fini, aos amigos estagiários Mané, Pedro, William, Felipe, Eduardo, Danilo, Gustavo, Rafael, Henrique, Amanda e a tantos outros que já saíram, além de Toninho, Othon, Willians e Erasmo, assim como todo o pessoal da arte, da foto, do design e do transporte. A todos estes, meu muito obrigado.

Saibam que eu vou sentir muita falta das brincadeiras, das discussões de futebol, das propagandas decoradas da rádio Globo, das pizzas de quarta-feira, dos momentos tensos de fim de rodada, do bordão ‘boa, Juninho’, dos novos métodos motivacionais do Raul, das provocações de folga com o Fini, das imitações do Othon, das regras de jornalismo revolucionárias e das provocações injustas do William, das tentativas frustradas do Mane em me reconciliar com o ‘desafeto’ Shrek, enfim. Estas são só algumas das coisas boas que eu vou levar daqui.

Alguns eu consegui cumprimentar pessoalmente antes ou durante este domingo, mas a maioria não. Mesmo assim, gostaria de abraçá-los por este e-mail. Torço por todo mundo que faz deste lugar o ‘melhor site de esportes do Brasil’, como sempre nos lembra o logo da GE. Desejo um bom trabalho daqui para frente e espero que esta carta não seja um adeus definitivo, mas sim um até logo. Prometo visita-los sempre que possível. E, mais uma vez, obrigado por tudo.

Julio Henrique Silvestre Simões

info: o e-mail foi enviado aos meus agora ex-colegas de trabalho, aos quais serei sempre grato.

Saldo

Muita gente já sabe que eu não gosto muito de fazer aniversário. Não pelo motivo tosco da Glória Maria, que esconde até de si mesmo a idade e usa mil creminhos para evitar qualquer princípio de ruga, mas pelo simples fato de que eu não gosto de ser o centro das atenções.

E o dia do seu aniversário é o momento em que a Terra para de girar em torno do sol e começa a rodar ao seu redor. Mesmo assim, vale registrar alguns acontecimentos curiosos - ou não - que tornaram o meu dia menos comum e mais, hmm, aniversarioso.

- 37 scraps de aniversário, sendo um no dia 6 e outro no dia 8, número que me fez chegar, assim como o Romário, ao número 1000 na carreira (parabéns ao Zé, meu primo, que provavelmente sem querer registrou o milésimo). ah, detalhe: curioso como tem gente (2) que não tem certeza do parabéns e reescreveram seus recados comemorativos...

- 4 torpedos sms de aniversário, o que prova que a tecnologia ganha espaço até na hora de parabenizar. O engraçado é que até a minha mãe aderiu a este formato para desejar saúde, felicidade e realizações a mim. Ela ligou depois, à noite, mas o primeiro sinal do dia foi mesmo via celular.

- 12 ligações de aniversário é o número que eu conclui tentando lembrar quantos me ligaram para ouvir minha bela voz agradecendo a tudo que era falado do outro lado. O meio mais tradicional é o mais utilizado por pessoas próximas que estão longe, caso do meu pai, minha mãe, meus avós e velhos amigos de outrora.

- 19 abraços de aniversário foram recebidos, apesar dos números serem tão imprecisos quanto os de ligações recebidas. Neste caso, não importa quem era. Só o fato de estar disposto a me parabenizar já vale. Como recompensa, todos receberam uma cara de constrangido/envergonhado.

- 5 comentários de aniversário foram recebidos neste despojo, muito menos do que os 11 do ano passado, quando comemorei com o post em que o Jo Soares me entrevistava. Até hoje este texto é lembrado e mantém o recorde de comentários em um só post. Mas desta vez eu entendo a baixa audiência, afinal publiquei algo mais subjetivo e menos criativo.

Enfim. Estes são alguns números do meu dia 7 de maio. A frieza do número pouco me importa, mas eu fico feliz e agradeço à todos que lembraram. Não teve bolo (preferi um alfajor Havanna), nem parabéns (ainda bem!), mas foi um dos aniversários mais ideais que eu já passei até aqui. E que venha o ano que vem, então!

Tempero

Eu tive medo quando fui andar de cavalo pela primeira vez, e tremi muito quando ele inventou de dar uns trotes. O mesmo medo de quando eu vou, nem que seja para acompanhar, a um parque de diversões.

Eu tive medo em mudar de escola pela primeira vez, da mesma forma quando encarei meu primeiro dia na faculdade. Certamente o mesmo medo que tive quando sai de casa para fazer cursinho em outra cidade.

Eu tive medo quando precisei bater um pênalti decisivo na final de um torneio de futsal, exatamente o mesmo sentimento frio que me corrompeu por dentro cada vez que eu precisei encarar uma piscina para competir.

Eu tive medo quando avistei um cachorro e conclui que ele iria correr atrás de mim. Esse medo ainda reaparece toda vez que um cão, mesmo que apontado pelo dono como bonzinho, resolve vir me conhecer.

Eu tive medo quando fui escolhido para ser orador da minha turma do prézinho. Apesar de bem alfabetizado na época, o calafrio de falar em público e em um microfone é o mesmo de uma entrevista de emprego.

Eu tive medo de pedir demissão do meu primeiro emprego, mesmo após três meses longos e desgastantes. A mesma coisa aconteceu esta semana, quando precisei comunicar minha saída ao chefe.

Estas são apenas algumas das inúmeras situações que me dão medo - as que eu me lembrei. Não foram as primeiras, nem as últimas. Todas elas, mínimas ou máximas, tem origem na mudança, o verdadeiro motivo da aflição.

Hoje, 7 de maio de 2008, completo 22 anos de vida. Toda vez em que mais um ano termina para mim, eu tento olhar para trás e ver o que eu fiz, o que eu faço, o que farei. Pouca coisa muda, mas eu sempre me satisfaço.

Eu tenho medo de mudança. Fato. Só que desta vez, mais do que nunca, o dia em que completo meu 22º ano de vida, cai exatamente no meio de um período em que eu tenho tomado decisões e definido rumos para o futuro.

Vou deixar meu emprego de quase dois anos e meio. Vou trocar de área no jornalismo. Vou mudar minha rotina. Vou mudar boa parte das pessoas com quem eu convivo diariamente. Vou encarar sozinho a construção de um livro.

Eu tenho medo. O mesmo de quando andei a cavalo, fui a um parque, estreei na escola e na faculdade, saí de casa, bati um pênalti, nadei, corri de um cão, fui orador e avaliado para um emprego, pedi demissão. Talvez seja essa a graça da vida.

Velhos amigos

Confesso que não foi apenas o olhar, as emoções e as ações do personagem Léo, brilhantemente interpretado por Dan Stulbach, que me fizeram praticamente venerar a minissérie global Queridos Amigos. Desde que ela entrou em cartaz (sim, porque está mais para um belo filme do que uma mera novela) eu comento com todo mundo quando posso.

Tenho certeza que também não foram apenas as boas interpretações de Matheus Nachtergaele (como o comunista Tito) ou Bruno Garcia (como o barbudo escritor Pedro Novais) que me fizeram querer estar à frente da televisão em quase todo fim de noite, após mais um capítulo do monótono Big Brother Brasil.

Na verdade, o que me fez gostar tanto da trama foram, sim, os queridos amigos. Perdão pela tentativa infâme do trocadilho, mas foi isso. O fato de Léo sonhar com a própria morte e passar a buscar obsessivamente viver mais próximo dos antigos amigos, tentando reconciliá-los e fazendo com que eles também se valorizassem mais, é que me fez chegar aqui.

A primeira coisa que eu pensei quando vi o primeiro capítulo, que você pode conferir lá embaixo, foi nos meus antigos amigos. Alguns deles eu conheço desde quando eu nasci, praticamente. Outros, fui agregando ao longo da vida. Todos eles tem um peso especial para mim, e me fazem praticamente "mover montanhas" para encontrá-los.

Um deles se formou em engenharia ambiental no começo deste ano e eu vejo pouquíssimas vezes, muito por conta das minhas raras visitas à cidade que por anos serviu como cenário de nossas vidas, mas também pela distância dele da terrinha. E este também é o motivo que me afasta de outros grandes amigos, como o que faz relacões internacionais, o que faz agronomia e do que já se formou em ciências contábeis.

São eles quatro, somados a outras figuras importantes cuja referência não será feita por mera falta de espaço, que me vieram a cabeça quando a minissérie começou. As reflexões, então, foram inevitáveis. Até quando vou ter notícias deles, se cada vez mais eu me afundo em compromissos e responsabilidades, assim como eles também nas suas obrigações? Até quando eu vou ter pique para fazer o possível para revê-los? Não sei, infelizmente.

Agora pense você nos seus. Isso, seus amigos de longa data, aqueles que, por força do destino, você precisou deixar. Não é triste saber que você não terá nada além de notícias vagas deles? Eles vão se mudar de cidade, trocar de emprego, trabalhar com coisas que você provavelmente não trabalharia, casar, ter filhos. E você, que também vai passar por tudo isso, só ficará sabendo bem depois. Vai se sentir bem por um instante, por eles, mas logo em seguida volta a ser sozinho.

Triste, eu sei. Agora pense adiante. Você tem amigos hoje, convive com eles quase diariamente, vive coisas maravilhosas e memoráveis a todo momento. Só que um dia os vínculos se quebram, vocês são obrigados a parar de conviver no mesmo ambiente, geralmente porque o que faziam em comum se encerrou. Aí começa tudo de novo. Enfim. Será preciso estar perto da morte para tentar ter novamente os velhos amigos por perto? Será esta a condição de todos nós?

Mãe é mãe

Da série "Tem coisas que só sua mãe faz por você".

Cena 1 (no sofá da sala)
- Mãe, você acha que eu estou meio gordinho?
- Hum... gordinho? Não, acho que você tá forte.

CORTA!

Cena 2 (na cozinha)
- Filho, você vai voltar pra cá quando se formar, é?
- Não, mãe. Fazer o quê aqui?
- Ah, sei lá. Trabalhar?
- Com jornalismo?! Em Promissão?!
- É, ué...
- Mãe!

CORTA!

Post dedicado à sincera Euny Silvestre Simões. Obrigado, mãe!

Fazer o quê?

Segundo a Wikipedia, moratória "consiste no ato unilateral de um Estado declarar a suspensão do pagamento dos serviços da sua dívida externa".

Já uma pesquisa rápida no Google indica que o preço de um rim é superior a US$ 100 mil.

De duas, uma. Não há como não pensar nessas coisas quando as contas - só de telefone, meudeusdocéu! - chegam à bagatela de R$ 270.

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