[texto escrito durante aula de pós-graduação. era um exercício de escrita rápida sobre alguém importante]
João Pedro deve ter sido meu primeiro grande e melhor amigo. Deve ter sido não, foi. Não há qualquer dúvida sobre isso. Nos conhecemos há muito tempo, ainda pequenos, naquela idade de jardim de infância. Morávamos perto, mas não éramos vizinhos. As mães ficaram amigas na mesma época, mas o motivo da nossa identificação deve ter sido outro. Provavelmente, afinidade.
Isso porque éramos - ainda somos - bastante diferentes. Eu, mais introspectivo. Ele, mais atirado. Eu, quieto. Ele, falante. E nem por isso deixamos de ser amigos. Lembro-me claramente que brincávamos de Lego na varanda da casa dele. Ele era mais engenheiro do que eu - profissão que segue até hoje.
Os videogames também era prática comum entre a gente. Lembro-me como se fosse hoje quando jogávamos corrida na sala acanhada da casa de outro amigo, ao som de Offspring. Depois, sempre íamos para a rua da frente brincar, como é bastante comum em cidades do interior. Jogávamos bola, corríamos, andávamos de patins (era a época do in line) e até fizemos uma Olimpíadas lá, com tocha e tudo.
Sem dúvida, ele era a pessoa mais próxima de mim naquela época. Nunca fui de muitos amigos, mas de bons. Cultivei outros depois dele, mas nunca o esqueço. Tomamos rumos distintos na profissão e na vida. Cada um está de um lado, longe, mas certamente mantendo as lembranças da infância vivas sempre. Confesso que até hoje tenho vontade de reviver aqueles tempos de antes, que infelizmente não voltam.
Tenho certeza que ele também se pega, às vezes, pensando em coisas que fazíamos juntos, durante o dia, da hora do almoço até escurecer. Essa era, aliás, a senha para pararmos a brincadeira. Ela recomeçaria no dia seguinte, nós sabíamos. Mas a parada nos cortava o coração, e nos fazia adiá-la até que o telefone tocasse - era nossa mãe - e nos mandasse parar.
Bom, se perguntarem se fui feliz, digo que fui. E se minha felicidade futura dependesse do que fiz no passado, creio que seria também. Assim como ele será, onde quer que esteja. É o que desejo a ele, com certeza. Assim, espero.
Lembranças
2.5.09 Por Julio Simões às 19:25 3 comentários
Marcadores: Caixa Preta
Novo jornalismo, velho medo
Em março, comecei minha pós-graduação em Jornalismo Literário. Para quem não sabe, Jornalismo Literário (ou só JL) é uma forma de fazer reportagem com foco em personagens e histórias, usando a descrição e a narração como ferramentas. Pois bem. Amanhã, dou o primeiro passo prático no maravilhoso mundo do JL - o trabalho-pauta inicial, sobre o qual conto outro dia.
Porém, ainda carrego uma grande insegurança jornalística comigo, a mesma desde que comecei a faculdade, cinco anos atrás. Confesso: não sei se, durante uma entrevista, é melhor anotar, gravar ou apenas ouvir o personagem.
Tenho problemas em anotar por conta da baixa velocidade da minha letra e da incapacidade de resumir. Já ouvir requer superar outra limitação: a da memória - e superar o medo de perder algo importante não é fácil, viu! Agora, usar um gravador seria a minha solução... se não inibisse o personagem (e em JL é necessário captá-lo na essência) e não fosse um saco fazer a transcrição depois!
Se tomarmos como exemplo os grandes ícones do JL, como Gay Talese e Truman Capote, fica ainda mais difícil saber o que fazer. Afinal, ambos anotavam poucas coisas durante a entrevista, deixando para lembrar e registrar tudo o que conseguissem mais tarde, quando estivessem sozinhos. E eu, como será que eu faço? Ainda não sei.
24.4.09 Por Julio Simões às 22:36 2 comentários
Marcadores: Caixa Preta, New Journalism
A caixinha de surpresas
O técnico são-paulino Muricy Ramalho deu uma de Pelé e previu a final do Campeonato Paulista. "Será entre São Paulo e Palmeiras", profetizou. Só que o Palmeiras perdeu para o Santos e o São Paulo para o Corinthians, com gol e passe de Ronaldão - cada dia mais eu admiro esse cara. Boa, garoto.
---
Incrível como é verdade: "tem coisas que só acontecem com o Botafogo". O time alvinegro venceu o primeiro turno do Campeonato Carioca e chegou a final do segundo, podendo sagrar-se campeão caso vencesse. Perdeu. Agora, volta a enfrentar o mesmo algoz de hoje, o Flamengo, em duas finais. Não estranharia se perdesse...
---
No Rio Grande, o Inter não está nem aí com a indefinição do treinador do Grêmio (o último nome cotado é o argentino Alfio Basile - já já o time se oferece para disputar o Clausura) e vai ganhando o Gauchão. Hoje, atropelou o Caxias por 8 a 1. Não acompanhei, não sei se teve alguém expulso, se algum gol foi ilegal, mas mesmo assim alguma coisa me diz que, com isso, o Inter entra como favorito no Brasileirão.
---
Já no Paraná, meu Atlético Paranaense fez um esforço tremendo para entregar as vantagens conseguidas pelo exdrúxulo regulamento do Estadual, mas mesmo assim o Coritiba conseguiu ser maior ao perder neste domingo para o quase lanterna Iraty, deixando a decisão para a semana que vem. Ou seja, o título parananense, que há tempos não pintava na Arena, pode vir em um Atletiba. Se Deus quiser!
19.4.09 Por Julio Simões às 20:49 2 comentários
Marcadores: Filosofia de boteco
Novo layout
Simples, modesto e mantendo as tradicionais cores verde, azul e branco. Gostei. E vocês?
18.4.09 Por Julio Simões às 00:49 3 comentários
Marcadores: Interrompemos nossa programação...
Uma pergunta para... Carlinhos Santos
Não sabe quem é Carlinhos Santos? Não? E o P.O. Box, banda de axé pop famosa começo do século XXI? Não também? Agora vai: e a música Papo de Jacaré, que embalou algum verão passado? Se não funcionou com o nome, aí vai o vídeo. Eu sei que você conhece, eu sei.
Pois descobrimos Carlinhos Santos no Twitter (@carlinhossantos) e o entrevistamos para o “Uma pergunta para...”, nova seção preguiçosa do blog.
-- this quote was brought to you by quoteurl
juliosimoes meudeus, olha só: até o vocalista do P.O. Box (lembra? papo de jacaré? verão'99 feelings?) tem twitter! @carlinhossantos (via @sms2blog) 06 Apr 2009 from twhirl
carlinhossantos @juliosimoes Sim Julio sou eu mesmo, atualmente sou vocal da dupla Bruno e Marrone. Abs 06 Apr 2009 from web in reply to juliosimoes
carlinhossantos @juliosimoes A banda continua, mas sem a mídia, fica difícil decolar, então ao mesmo tempo fazemos trabalhos paralelos. Abs e Fique com Deus 07 Apr 2009 from twhirl in reply to juliosimoes
7.4.09 Por Julio Simões às 15:23 7 comentários
Marcadores: Filosofia de boteco

