Há algum tempo, tenho pensado nisso e... pronto!
Estamos fechado para balanço. E por tempo indeterminado.
Grato,
Julio
Recesso
28.8.07 Por Julio Simões às 18:44 6 comentários
Marcadores: Caixa Preta
Teorema
Eu sempre quis escrever um teorema sobre alguma coisa. Algo importante, sabe? Algo universal, que todos que lessem e se identificassem de primeira. Pensei nisso por anos, algumas idéias passaram e nenhuma teve tanta consistência como esta. Enfim, acabou que decidi escrever sobre o amor.
No começo a gente acha que é fácil, que o sentimento é sempre o mesmo, mas que só mudam os personagens. Depois passa a ver que não é tão simples, que tem coisas a mais envolvidas, que existe mais complexidade do que se pode imaginar.
Depois ainda esbarra em outras formas de amor, tão boas ou até melhores. Indispensáveis, eu diria. E passa a duvidar do conceito universal do amor. É aí que começam os problemas. Não se sabe mais aonde termina uma coisa e começa a outra. E a necessidade cada vez maior de viver tudo aquilo passa a ser insustentavel.
Eu sempre quis escrever um teorema sobre alguma coisa. Escolhi a porra do amor. Queria que fosse algo poético, lindo e chocante. Queria que fosse digno de prêmio Nobel. Pois não deu, infelizmente. Escrevi meias palavras sem qualquer conteúdo. Talvez eu ainda não saiba nada sobre isso.
Por Julio Simões, em 28 de agosto de 2007.
Por Julio Simões às 13:58 0 comentários
Marcadores: Caixa Preta, Ficção?
As horas, o tempo
Sempre quando retorno a Promissão, o que não acontece tão frequentemente assim, consigo enxergar uma nova cidade. Seja pela pintura renovada de alguns locais ou até pelo aparecimento de algumas construções, que parecem surgir por brotamento.
Da última vez que fui à terrinha, porém, uma coisa fora do lugar me chamou a atenção. Me horrorizou, até. Afinal, caro leitor, como é possível alguém trocar um relógio histórico por um marcador de horas digital?!?
Como pode um patrimônio desses, mesmo estando "fora de serviço" desde que eu existo, ser trocado por um retângulo de dígitos verdes, impossíveis de enxergar mesmo estando embaixo dele?
Pois foi isso que aconteceu. Era um relógio de, creio eu, aproximadamente 50 anos, colocado no alto de uma das principais praças da cidade, como homenagem ao início da imigração japonesa no Brasil.
O problema, além do político, é que fatos como esse me colocam frente à lembranças de que o tempo passa, de que me distancio das coisas e que tudo muda, desde a fisionomia da cidade até a minha. A mudança é inevitável, eu sei.
E em algum momento aquele relógio ia sair dali, fato que ninguém pode evitar. Só me pergunto para onde vão todas as velharias, desde as antigas lembranças às velhas manias? E para onde foi o velho relógio histórico, hein?
Por Julio Simões, em 17 de agosto de 2007.
Por Julio Simões às 13:44 0 comentários
Marcadores: Caixa Preta
Conflito de interesses
"Eu acho que a gente podia ser assim". Foi o que ele disse quando já estava com as mãos em sua cintura, fitando-a e com uma vontade enorme de beijá-la. Há algum tempo vinham se conhecendo, e quem visse a relação dos dois de fora, não daria mais de um mês para que eles consumassem o fato.
Ela então pensou em tudo, o que eles haviam vivido até ali. Apesar do pouco tempo que se conheciam, já se consideravam amigos! E aí veio a frase que ela mais temia. "Eu acho que a gente podia ser assim". E as mãos na cintura dela correram pelas costas e os corpos se esquentaram até os rostos se tocarem e as bocas...
Aí a coisa fluiu. O sofá, que passava por ali, serviu confortavelmente como a primeira noite dos dois. Noite não, aliás, porque era de tarde e os dois apenas para recuperar um DVD dela. E tudo acabara naquilo. No sofá, sob olhares da mesinha de centro, da TV e do tapete.
O toque dele era bom e a estimulava. A calça jeans - que a deixava sinuosamente deliciosa - fora facilmente retirada enquanto as mãos dele percorriam o corpo dela como um escultor com sua argila. Aos beijos e lambidas, seguiram como num balé de corpos desesperados por se completarem.
Depois, ainda ofegantes pela lancinante tarde amorosa, se olharam por longos segundos, como se prevendo o fim. Num estalo, recolheram as roupas do chão sem trocar qualquer palavra, não se despediram e não se viram mais. Estava tudo acabado entre os dois.
Por Julio Simões, em 1º de agosto de 2007.
25.8.07 Por Julio Simões às 11:22 3 comentários
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Leve desespero
Eu sinto um frio que não sei explicar. Talvez seja a janela que não está aberta. Talvez seja o ar condicionado que não funciona desde 1995. Não sei. Vem um vento frio, daqueles que atingem a Argentina de tempos em tempos, especialmente no inverno.
Um vento que parece focado em mim. Apenas eu sinto frio! Me encolho na poltrona, olhando a televisão desligada. Em segundos, me pego num labirinto, de paredes altas e forradas de plantas - trepadeiras, acho. É tudo muito grande, vazio, dramaticamente silencioso.
Eu corro nu, para lugar nenhum. Não acho a saída, mas encontro as extremidades. São quatro, todas fechadas, sem solução. Depois de horas, a imagem turva e eu caio. Acordo sete dias depois, ainda na poltrona. A campainha toca. Deve ser o jornal, penso.
21.8.07 Por Julio Simões às 23:13 3 comentários
Marcadores: Ficção?

