Bial é bróder, morô?

Há um tempo eu venho defendendo o uso do mini hang-loose, criado pelo genial Marcelo Adnet, como forma de cumprimento no Brasil. E o mais recente adepto da modalidade é, nada mais nada menos, que Pedro Bial!

"Então, hang-loose... mini hang-loose!"

Como eu disse para a @miiilly, que me contou sobre a ação, Bial deve ter aprendido a fórmula do MHL (mini hang-loose abreviado) com seu filho, em um almoço que teve naquele dia na Barra, Rio de Janeiro.

- Pai! Pai! Olha só, vi na MTV! (fazendo o MHL)
- Nossa, filho! Me ensina?!
- Só se você fizer ao vivo, no BBB.
- Fechado. Como eu faço essa coisa aí então?

E aí foram horas e horas de aprendizado. Depois, Bial chegou na Globo e se trancou na sua salinha, mas enquanto todos achavam que ele ia escrever seu texto do dia, não. Ele ficava treinando o MHL para a grande noite. O resto você pode ver aí embaixo....



Bom, se você ficou com vontade de aprender e entrar para a panelinha, não se preocupe! Marcelo Adnet já preparou um manual (este que você vê aí ao lado) para ensinar a incrível técnica aos seus espectadores. Basta clicar aqui e acessar o PDF. Aí é só treinar, treinar e treinar, morô? Ah, não se esqueça de divulgar aos amigos e de, claro, gritar um uhuuuu quando fizer, ok?

Caiu a ficha

Eu sabia que isso ia acontecer um dia – e aconteceu. Logo que alcancei a Paulista nesta segunda-feira, pelo estacionamento que sempre cruzo, avistei uma multidão de pessoas coloridas, fazendo barulho e se amontoando em frente ao número 900. “É dia de trote, como eu não lembrei disso?!”, me perguntei, mentalmente. A auto-pergunta tem motivo: eu não queria passar por aquilo.

Em todo caso, caminhei até o ponto de ônibus que me levaria ao trabalho, coisa que aqueles moleques sequer pensam ainda. Mas não deixei de observar, meio de relance, o que aquele pessoal recém-saído das fraldas vivia. Tudo era festa, tudo era tinta, tudo era alegria. Eis então que vesti minha máscara de cara fechada, olhei com repulsa para a multidão – que sequer sentia a minha presença ali – e subi no primeiro ônibus rumo à Angélica.

Acho que estou ficando velho. Humpf.

A favorita desconhecida

Nunca falei sobre novela por aqui, fato que pode causar estranhamento em alguns. Acontece que, como a maioria do país até o mês passado, eu acompanhei A Favorita, novela de João Emanuel Carneiro protagonizada por Claudia Raia e Patrícia Pilar, a Donatela e a Flora, respectivamente. Praticamente do começo ao fim, chegando ao ponto até de mudar compromissos para não perder capítulos. Acontece que a novela acabou, a Flora se danou e a vida continuou.

Porém, um fato curioso me fez lembrar da novela nessa terça-feira, e pensar o quanto ela pode marcar as pessoas. É que este mês a revista VIP colocou como capa a atriz Fiorella Matheis, praticamente uma coadjuvante da trama que mobilizou o país até o mês passado. Não sabe quem é ela? Claro, nem eu sabia. Precisei pesquisar no google o nome da “atriz favorita capa VIP”. Agora, se eu disser que ela era Cristal, garota de programa usada por Donatela para fazer o vilão Dodi trair a própria esposa Flora em pleno casamento. Lembrou?

Pois então. Se não bastasse tê-la na capa, a revista ainda foi mais longe e publicou uma referência sutil àquele capítulo logo na primeira página. Reparem: na coxa de Fiorella existe um coração e a palavra VIP marcados com batom, exatamente como Dodi fez depois da traição à Flora, marcando seu telefone para a moça (até dentro de um coração, se não me engano), a fim de novos contatos. Genial! O que prova que o editor da revista também viu a novela – e a cena inesquecível da atriz, claro. Mais interessante que essa sacada só mesmo ver que Fiorella conseguiu ser capa de revista masculina com apenas uma cena de destaque...

ps. Logo postarei uma foto da capa, podexá!

Ó, ortografia!

Como se o português não fosse suficientemente difícil, resolveram modificar sua ortografia neste começo de ano. A nova reforma ortográfica, como vem sendo chamada, tirou trema, acento, hífen e embaralhou a cabeça de muita gente. Eu, como todo mundo, achei um pouco inconveniente, mas entendi a necessidade das alterações: a unificação da língua portuguesa entre os países que a utilizam. É o que chamam de mal necessário.

Então, pensando nisso, deixo duas dicas para os que querem aprender ou conferir se estão acertando. O primeiro site é o NeoReader, um leitor que permite acessar livros e revistas postados na íntegra, em PDF. E, claro, lá está o ótimo Guia da Nova Ortografia, produzido pelo Estadão. A outra é o Ortografa!, idéia ideia (obrigado, Fábio - com ou sem acento, será?) genial baseada na Web 2.0 que corrige a frase (até 500 caracteres, por enquanto) que você digitar lá. Com eles, acabaram as desculpas de adaptação à nova ordem ortográfica. Feito?

O dia em que, enfim, entrei no Marabá

Durante um ano, tentei atravessar os portões de ferro que cercavam o Cine Marabá. Minha missão era entender a estrutura interna antiga e saber o que seria modificado, já que a antiga sala de 1655 lugares daria lugar a cinco menores. Primeiramente, minha intenção era fotografar tudo e conversar com alguém que pudesse me explicar como seria a reforma. Depois de um tempo, diante da dificuldade de relacionamento com a PlayArte, reduzi as exigências para apenas conhecer o cinema por dentro. Mesmo assim, terminei o livro sem pisar lá.

Mal sabia eu que exatamente dois meses depois da apresentação do livro à banca examinadora, que o classificou como 9,0 e me aprovou em Jornalismo, as coisas aconteceriam. O dia era 19 de janeiro de 2009, uma segunda-feira com pouco sol, mas também sem frio. Naquele dia, não tinha muita coisa para fazer e decidi visitar meu objeto de estudo. Rumei a República e, logo que cheguei, encontrei um amigo-fonte do Hotel Marabá.

- Opa, Julio! Tudo bom? - disse ele.
- Tudo sim. Tô passando pela região e decidi visitar esse cinemão aí - emendei, apontando pro alto.
- Ah, tá ficando bonito. Pena que ainda vai demorar para abrir.
- Sério? Quanto tempo será?
- Era pra ser agora, dia 25 de janeiro, no aniversário de São Paulo. Mas não vai dar tempo não...
- É verdade, parece que falta muita coisa.
- Aham. Eu acho que ainda vai uns três ou quatro meses.
- É, pode ser...
- Quer entrar lá pra ver como está?
- Opa, é possível? Seria ótimo!
- Pode sim, conheço o pessoal dali. Vem cá.

Após uma rápida conversa, o amigo convenceu o pessoal da obra a me deixar olhar o cinema, mesmo que apenas o hall de entrada. "Ele é meu amigo, é aqui do hotel", justificou ele. Talvez o fato de eu estar camuflado como turista, com um short longo, uma camisa pólo e uma pochete tenham reforçado a impressão de que eu era turista. Divagações à parte, a passagem liberada e eu finalmente consegui transpor os tapumes que substituiram o portão de ferro e escondiam a obra.

Alguns passos depois, vi as antigas bilheterias todas restauradas, com o "Marabá" em letras estilizadas muito mais visível do que antes. Mais à frente, outra coisa linda eram as enormes colunas amareladas e o mármore italiano "que não existe mais", como bem disse o engenheiro que me acompanhava. Ele, aliás, me explicou o andamento da obra, as dificuldades e a previsão de entrega. "Torço para que seja daqui um mês e meio", disse. Ou seja, o novo Marabá só deve vir à público em março.

Por fim, vi onde ficarão as bilheterias novas, a bombonière, os banheiros. Tudo ainda está muito incipiente, o que reforça a ideia de que a obra ainda vai demorar. Ao menos o lustre, que deixou o teto do hall para ser restaurado, já está de volta ao seu devido lugar. O enorme espelho ainda não voltou, mas ainda vai voltar. Somente as salas eu não tive acesso, pois ainda estão desfiguradas. Mesmo assim, posso afirmar com toda certeza: o Marabá será o cinema mais lindo de São Paulo.