Política do “leite-quente-dá-dor-de-dente”

Sempre que vou ao Paraná, mais precisamente à minha querida Castro, volto falando o dialeto típico local. Inevitável. É aquela coisa bem “leite quente dá dor de dente na gente”, sabe? Só que essa frase, apesar de acentuar bem a principal característica sulista (experimente falar em voz alta e fixar bem as letras E), não quer dizer nada.

Sério. Eu nunca vi ninguém para lá da divisa falar essa frase com algum significado. Não serve para pedir nada, nem sequer para reclamar da alta temperatura do líqüido – e que ainda não sei se dá mesmo dor de dente! No máximo, ela é reproduzida por algum forasteiro quando repara o quanto é engraçado ouvir o sotaque do Sul.

Só que, salvo os dialetos típicos do Rio Grande do Sul (o “gauchês”) e algum que desconheço de Santa Catarina, há no Paraná uma série de frases típicas. Coisas que eu só ouço dos meus tios, das primas, da vó. Minha pesquisa não aprofundou-se a ponto de saber se elas são ditas em todas as regiões do estado, mas em Castro eu garanto.

Abaixo, cataloguei algumas expressões que gosto do Paraná e sua tradução. Com vocês, o pequeno dicionário paranaensês:

QUE TAR! (lê-se 'que taaaaar') 1. Expressão utilizada quando se quer mostrar admiração por algo realmente impressionante. Em alguns casos, a frase demonstra um quê de inveja com relação a tal fato dito pelo interlocutor.

LOCO DE BOM (lê-se 'locodêbom') 1. Expressão utilizada (inclusive por mim, mesmo aqui em São Paulo) para demonstrar que alguma coisa é boa demais. 2. Sinônimo de “excelente”.

DIZ QUE... (lê-se 'disque', tal qual o serviço de delivery) 1. Estrutura utilizada única e exclusivamente para fofoca. É dita quando se quer falar algo de terceiros, mas que é preciso sigilo.

CAPAZ! (lê-se 'ca-paaaaaz', estilo Xaropinho, seguido de uma cara de assustado) 1. Expressão utilizada para demonstrar surpresa com algo que foi dito. 2. Sinônimo de “não é possível”.

FRANCAMENTE! (lê-se 'fraaaaancamente') 1. Expressão utilizada para demonstrar indignação com relação a qualquer assunto.

TUDO TEM QUANTIA 1. Frase usada (pela minha vó, pelo menos) para dizer que as coisas tem limites. 2. Sinônimo de “tudo tem limite”.

COMA BEM BONITINHO (lê-se 'coma beeeeeem bonitinho') 1. Frase usada (também pela minha vó) para orientar crianças (os netos, no caso) sobre como se comportar à mesa.

...ANDINHO 1. Uso de diminutivos são bastante comuns e podem ser aplicados a qualquer palavra, à gosto do freguês. 2. Exemplos: andandinhos, passeandinhos, namorandinhos, olhandinhos.

Além dessas, existem outras expressões interessantes típicas do povo paranaense, como “loco véio”, “tongo”, “lazarento”, “mais firme que palanque em banhado”, “vina” e até “ornando”.

Enfim, um paraíso de palavras específicas do Paraná. Agora, com este pequeno dicionário paranaensês, você, caro leitor paulista/paulistano, pode sair por aí falandinho com os loco véio. Porque diz que é loco de bom. Francamente!

2 comentários:

Fábio disse...

Hehehehehe, sensacional! =)

Ah, cara, você recebeu meu e-mail lá do TCC? Ajudou alguma coisa?

Abraço

Mané disse...

Hahaha, muito bom mesmo!!

Tem uma que poderia rolar um exemplo prático. Mesmo assim, lôco de bom!

("Lazarento", vira e mexe eu uso!)