Marabá: O início

O natural é que as coisas comecem do início. E é por isso que desde já resolvi contar, por meio do despojo, a minha saga na apuração do projeto experimental de conclusão de curso, também chamado pela temida sigla TCC. No meu caso, um livro-reportagem sobre as histórias do Cine Marabá, sala de cinema inaugurada na década de 40 que fica no centro de São Paulo, quase no famoso cruzamento entre a Ipiranga e a São João.

E como falamos em começo, vale começar a contar esta história do ponto em que surgiu a iniciativa. Em 2007, eu e Mauricio Martins, com quem dividia a responsabilidade da missão, tivemos alguns insights sobre o projeto experimental. Que tal um livro sobre o cotidiano dos correspondentes brasileiros no exterior? E um documentário sobre a Transiberiana? Ah, e um livro sobre a evolução da produção de etanol no Brasil? Enfim. Idéias não faltaram, embora nenhuma dessas tenha sido escolhida, por uma série de fatores que viriam a seguir.

Outubro de 2007. Se minha memória não falha, foi neste mês em que um encontro definitivo aconteceu. Tinha acabado de ler um daqueles jornais descartáveis grátis e pensado em uma pauta interessante para uma revista de cultura, talvez. O que havia me chamado a atenção era o fato do centro de São Paulo, antes famoso por abrigar boa parte da vida cultural da metrópole, tinha apenas um cinema representado no guia de programação dos jornais.

Sabe aquela seção do jornal que você recorre para saber o melhor horário e local para pegar aquele cineminha? Então. Já reparou que ele é dividido em algo próximo a Bairros, Shoppings e Centro/Jardins. Esta última classificação foi o motivo que me fez pensar. Nela, só havia as salas de cinema da região da av. Paulista e arredores, além do velho Cine Marabá, o "último dos moicanos" do Centrão. O que, no mínimo, seria tema para uma reportagem.

Naquele mesmo dia, o encontro que definiu tudo se deu nos corredores da Faculdade Cásper Líbero. Depois de explicar a idéia da pauta e lamentar que "infelizmente eu não trabalho em uma revista para propor isso" para a companheira Juliene, que na época era cotada para integrar o grupo, ouvi a grande questão. "Por que você não faz o TCC sobre isso?", disse ela, quase que concluindo que 2 + 2 são 4. Bingo! Desde então, não tive mais dúvidas de que seria isso. Só não sabia dos percalços que enfrentaria ainda no começo...

(continua no próximo capítulo)

2 comentários:

Fábio disse...

Ah, fala a verdade, se não fossem os percalços no meio caminho nada nessa vida teria graça, né?

O tema é ótimo, cara! E nem preciso dizer que aí sobra talento para fazer um trabalho muito legal.

Bora lá!

Thá disse...

Apesar dos percalços (que nem sempre são tão legais), você vai ver que tudo dará certo no final. Sei que todo mundo já deve ter tido isso, mas é verdade, viu?

Ano de TCC é difícil mesmo. Mas, para a nossa sorte, ele acaba!

Ah, e com um tema desse, você vai ser muito feliz durante o ano. =)